Biografia dos Artistas

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Leonor Lea Botteri Genehr

Rio de Janeiro, RJ, 1916 - Curitiba, PR, 1998

Leonor Lea Botteri nasceu no Rio de Janeiro, em 09 de junho de 1916, passando a residir em Curitiba a partir de 1919, juntamente com sua família. Seu pai, italiano de origem servo-croata oriundo da Dalmácia, se aventurou com os ciganos de sua ascendência e fincou raízes na capital paranaense. 

Após seus estudos no segundo grau, entre os anos de 1939 e 1947 exerceu o magistério público como professora primária em Curitiba. Seu envolvimento com as artes se deu aos 26 anos de idade a partir de estudos junto a Guido Viaro em seu atelier, situado na Sociedade Dante Alighieri, entre 1942 a 1945.

Era aluna e auxiliar de seu mestre, experiência que possivelmente serviram de inspiração para a ministração e suas próprias aulas no futuro próximo. Em 1943 participa do I Salão de Belas Artes de Primavera, realizado no Clube Concórdia/Curitibano, sendo premiada na ocasião. Podemos destacar a premiação em cinco edições do Salão Paranaense de Belas Artes, já em 1957 juntamente com Theodoro De Bona, Guido Viaro, Traple, João Genehr, Arthur Nísio e outros, participam da Exposição de Pintores do Paraná, no Museu Nacional de Belas Artes na cidade do Rio de janeiro.  Em 1973 integrou a mostra em homenagem a seu grande mestre, Guido Viaro que foi promovida pelo Centro Dante Alighieri, em Curitiba.

Para as mulheres produzirem arte na década de 1940 no Brasil, elas tiveram que enfrentar duros obstáculos, derrubar paradigmas e barreiras. Leonor, filha de imigrantes, tímida e acanhada, trilhou seu caminho em um meio dominado por homens no cenário artístico paranaense. Com sua bagagem adquirida e desenvolvida nas práticas do atelier e estudos dos grandes mestres, a artista conseguiu desenvolver uma linguagem própria, se desprendendo em alguns momentos dos moldes acadêmicos. A artista seguiu com seus ideais e seu propósito, e se  consolidou com seus próprios passos como referência na arte paranaense.

Sua carreira acadêmica se iniciou em 1959, quando assumiu a disciplina de Natureza-morta, na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP). Mesmo com seus colegas de academia, Theodoro de Bona e Guido Viaro, já consagrados como mestres na pintura paranaense, ocupando disciplinas consideradas  “nobres”, tendo isso como desafio, a professora e artista desenvolveu uma linha própria em suas aulas de natureza morta, demonstrando confiança em suas composições e sua palheta de cores, bem característica, se estendeu aos seus retratos e autorretratos. Dedicou a sua vida à arte, lecionando até sua aposentadoria em 1986.

Devemos apreciar as suas obras com respeito e um olhar sincero. Com o passar dos segundos sentimos a solidão e o silêncio, um pouco de tristeza em cada composição, mas uma expressividade dos personagens, que em sua maioria são figuras femininas solitárias e reflexivas. A composição e suas cores frias exercem um fascínio que pode te afastar, ou te seduzir.

O espectador consegue adentrar na magia das figuras femininas com a sua timidez e criar ali seu refúgio. De acordo com o crítico de arte e curador Fernando Bini, a linguagem de Leonor é “um expressionismo estranho e inquietante, uma compulsão interior, algo que não deveria ficar escondido, mas que saiu. Um expressionismo nostálgico e não marcado pela guerra como o expressionismo europeu, mas que anuncia a mesma crise do sujeito” (apud BINI; CAIXA ECONÔMICA FEDERAL; PEDROSO, 1988).

Com certeza ela foi um dos pilares na construção da Escola de Música e Belas Artes, abrindo caminho para outras mulheres no campo das artes plásticas paranaense. Com seu falecimento em 1998, após diversas exposições em Curitiba e homenagens, foi criada a Sala Leonor Botteri na antiga sede da EMBAP, situada na rua Emiliano Perneta.

O valor artístico é tão de pronto reconhecido, que ao apresentar essas pinturas e o esboço, em nossa singela homenagem, (apesar da escassa divulgação que ela teve em vida), isso é a prova do mérito artístico que ela representa, sendo referência a centena de alunos e professores da instituição. As obras aqui apresentadas dialogam muito com o momento em que todos estamos vivenciando em 2021, a introspecção, o silêncio e como cada indivíduo tem se comportado em seu meio. É uma oportunidade para olhar para dentro de nós mesmos e nos conhecermos.

REFERÊNCIAS

 

ARAÚJO, Adalice. Dois pintores de Curitiba. Revista Cultura, v. 8, n. 31, jan./mar. 1979.

 

BINI, Fernando; PEDROSO , Domício; CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. Arte Paranaense: Movimento de Renovação. Curitiba: Caixa Econômica Federal, Galeria da Caixa, 1998. 


JUSTINO, Maria José. Silêncio e solidão na pintura de Leonor Botteri. Curitiba: Museu Oscar Niemeyer, 2010.