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Fernando Velloso 

Curitiba, PR, 1930

Fernando Pernetta Velloso nasceu em 09 de agosto de 1930, na cidade de Curitiba. Filho de Leyla Pernetta e Gaspar Velloso, teve a infância fortemente influenciada pelas decisões do avô materno, com o qual passou a residir após a separação dos pais.

Em 1941, ingressou no Ginásio Paranaense – atual Colégio Estadual do Paraná, onde demonstrou sua aptidão para o desenho. Em 1948, ingressou na primeira turma do curso de Pintura da recém-criada Escola de Belas Artes do Paraná. Durante os estudos, aproximou-se de Guido Viaro, artista e professor expressionista italiano, demonstrando sua tendência e apreço pelos movimentos modernos dentro das artes. Formou-se em 1952, e foi orador da primeira turma do curso de Pintura.

Paralelamente à finalização do curso de Pintura, iniciou o curso de Direito na Universidade Federal do Paraná, finalizado em 1955. Por muitos anos atuou como advogado e artista, levando uma vida dual. Assumiu cargos de confiança junto ao serviço público estadual e participou da vida artística da cidade e do Estado.

Um dos momentos emblemáticos de sua trajetória foi a participação no Movimento de Renovação, no qual foi organizado um protesto na inauguração do 14º Salão Paranaense, com o objetivo de denunciar e explicitar a discriminação que os órgãos da Secretaria de Cultura do Estado promoviam contra a arte moderna. Velloso destaca e critica as bases sobre às quais as artes eram pensadas e produzidas no Paraná:

[...] havia um academismo implantado que era ferrenho inimigo de tudo que se inovasse, reacionário e muito bem implantado porque era fruto de várias gerações de pintores que se repetiam, e cada vez com menor qualidade; como todo xerox que cada vez que é “re-xerocado” perde qualidade, esses acadêmicos eram ainda originários do grande mestre Alfredo Andersen, e durante gerações e gerações nada mais faziam do que repetir o que o mestre os havia ensinado sem nenhuma preocupação de pesquisa ou de descobrir novos caminhos. (VELLOSO, 1984 apud FREITAS, 2003, p. 89)

Em 1958, o artista realizou sua primeira exposição individual na Galeria Cocaco, ponto de referência na cidade para a arte moderna no período, pelo qual circulavam artistas e estudantes de artes que questionavam e subvertiam as tradições artísticas instauradas no Paraná e que eram parâmetros para os eventos artísticos produzidos pelos setores culturais do Estado. Entre 1959 e 1961, Velloso foi bolsista do governo francês e estudou na Academia do artista pós-cubista André Lhote, período no qual expôs na Galeria do Office du Bresil e teve uma de suas obras incorporadas ao acervo do Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris. 

Ao retornar ao Brasil, passou a atuar em vários setores culturais do Estado, ocupando os cargos de Chefe da Divisão de Planejamento e Promoções Culturais do Departamento de Cultura; Membro do Conselho Deliberativo da Fundação Teatro Guaíra; Diretor do Museu de Arte Contemporânea do Paraná; Chefe da Coordenadoria do Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura; Diretor Geral da Secretaria de Cultura; Diretor Geral da Secretaria de Justiça; Membro do Conselho da Fundação Cultural de Curitiba; Secretário de Estado da Cultura do Paraná, entre outros. Entre estes, destacamos a sua atuação para a criação do Museu de Arte Contemporânea do Paraná e os anos em que foi seu diretor (1970-1984).

Até o momento, Fernando Velloso já realizou mais de 300 exposições coletivas e inúmeras individuais, organizadas em países como Alemanha, França, Suíça, Estados Unidos, China, México e Paraguai. Sua última exposição individual ocorreu em 2020 no Museu Oscar Niemeyer, intitulada “Fernando Velloso por ele mesmo”, uma retrospectiva de suas obras em comemoração aos seus 90 anos, dos quais 70 foram de atuação junto às artes, com especial relação ao desenvolvimento da arte moderna no Paraná e a sua aceitação junto aos setores de cultura.

REFERÊNCIAS

 

MEMÓRIAS PARANÁ. Depoimento de Fernando Pernetta Velloso. 2015. Disponível em: https://memoriasparana.com.br/2015-fernando-pernetta-velloso/. Acesso em: 22 out. 2021.

 

FREITAS, Artur. A consolidação do moderno na história da arte do Paraná: anos 50 e 60. Revista de História Regional, Ponta Grossa, v. 2, n. 8, p. 87-124, inverno 2003.

DEL VECCHIO, Annalice. Equilibrista da forma e da cor. Revista Helena, Curitiba, n. 5, mar. 2014.

 

A ARTE DE FERNANDO VELLOSO. Filme. Realização: MAC/PR e TV Educativa. Integrou a Sala Especial do 55o Salão Paranaense. Curitiba, 1998, 16 min.

 

BINI, Fernando. Fernando Velloso e a poética da matéria. Curitiba, abr. /mai. 2001. Catálogo de exposição.