Transcrição de áudio

Entrevista de Fernando Velloso para a Exposição Belos Caminhos em 2021 – Turma de Museologia – EMBAP/UNESPAR.

O artista nasce artista, isso é uma coisa inquestionável. A história mostra isso e estamos vendo a todo momento que as pessoas são artistas porque nasceram artistas, mas ao ensino acadêmico seja da forma que ele for colocado tem uma importância grande porque aceleram o processo de amadurecimento desses artistas, porque lhes dá a ferramenta necessária para executar a obra. 

 

Mesmo que eles sofram com algum atrapalho no seu desenvolvimento pela rigidez que geralmente as academias obrigam o eventual artista ou candidato a artista a passar. 

 

Acho que realmente, como eu digo... habitualmente, a academia ensina o saber fazer mas não o fazer, então acho que elas são importantes, muito embora grande quantidade das pessoas que frequentam academias de arte, escolas de arte ou assemelhado, não vão se tornar artistas.

 

A minha passagem pela Escola de Belas Artes evidentemente foi de anti-rotina na escola de Belas Artes. Nós da primeira turma da Escola reunimos um pequeno grupo dos alunos inscritos naquele primeiro ano que se tornaram discípulos do [Guido] Viaro, portanto discípulos da anti academia, na quebra de limites, quebra de fronteiras, quebra de coisas instituídas como definitiva porque [Guido] Viaro era geralmente o incitador a você não ser um acadêmico, não ser um predisposto a ter fronteiras.

 

Eu acho que o que mais nos enriqueceu, a alguns poucos e posteriormente a muitos, porque o [Guido] Viaro fez a cabeça de várias turmas e várias, quase várias, gerações depois disso, nos transformamos na academia dos anti academia.  

 

Bom, depois eu tive oportunidade de fazer o estágio de dois anos e meio, quase três, em Paris, na chamada academia do André Lhote, que na verdade era o atelier do André Lhote, pomposamente chamado de academia, mas era um... um mundo novo para mim pelo contato com pessoas do mundo todo que trabalhavam ali com ele, queriam ir se modificando no período que estive lá. Mas na verdade a grande academia que eu frequentei foi Paris como um todo, com seus maravilhosos museus, com as suas milhares de galerias apresentando todo tipo de obra e realmente lá eu comecei a perceber que uma cidade como Curitiba, enfim que era o meu mundo, tinha necessidade de um museu de arte. Um Museu, realmente um Museu de Arte, e foi com essa ideia na cabeça que eu voltei e que me inspirou depois a trabalhar bastante em busca desse dessa realização.